É PRECISO QUE SAIBAM A ENERGIA QUE POMOS NA NOSSA ARTE!

Artista: qualquer pessoa que cria ou dá expressão criativa, ou recria obras de arte, que considera ser a criação artística uma parte essencial da sua vida, contribuindo desta forma para o desenvolvimento da arte e da cultura, e que é ou pede para ser reconhecido como artista, estando ou não vinculado a qualquer relação de emprego ou de associação. (…)

O vigor e a vitalidade das artes dependem, entre outras coisas, do bem-estar dos artistas individual e coletivamente considerados.

(UNESCO, Recomendação sobre o Estatuto do Artista, na Conferência Geral das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em Belgrado, 1980).

A sociedade tem, não só o dever, mas igualmente todo o interesse em apoiar os artistas, tendo em conta o papel indispensável que os mesmos desempenham na melhoria da qualidade de vida da sociedade e o contributo que dão para a consolidação da democracia.

(…)

O relatório revela toda a dimensão da necessidade de se implementarem medidas, pois diz-nos que (…) pese embora a produção e a difusão acrescidas de obras de arte ou literárias e a emergência de verdadeiras indústrias culturais, a grande maioria dos artistas continua ainda a viver, no final deste século, em condições precárias e indignas do seu papel social.

Relatório da Comissão para a Cultura, a Juventude, a Educação e os Meios de Comunicação Social, Comissão Europeia 1999.

É PRECISO PALAVRAS COM ARTE. É PRECISO ARTE COM ARTE.

Na década de 1960 em Portugal, surge um movimento de poesia experimental portuguesa, experimentalismo português ou PO-EX, tendo a sua maior expressão na revista Poesia Experimental, organizada por António Aragão e Herberto Hélder, contando como colaboradores com António Ramos Rosa, António Barahona da Fonseca, E.M.de Melo e Castro, Salette Tavares e mais tarde Ana Hatherly e M.S. Lourenço.

Sobre poesia experimental, diz-nos E. M. de Melo e Castro, em A Proposição 2.01.Poesia Experimental, publicada em Lisboa, em 1965 que: Um poema-experiência é um ato criador porque com ele não se pretende reproduzir nem exemplificar nada (…) A obra de arte experimental requer, pois, uma mudança de atitude do seu fruidor, de passiva para ativa. Assim, estabelece-se uma troca de energia entre obra e fruidor, sendo o tipo dessa energia dependente do princípio estrutural em que a obra assenta e da porta da perceção que ela é capaz de impressionar.

Estructuras poéticas – tipo H”, Ana Hatherly, 1967

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Herberto Hélder, in cadernos de hoje. BOLS, 1965, Lisboa

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O AMOR À ARTE NÃO CHEGA PARA VIVERMOS!
ZANG
TUMB
TUUUMB

Em 1977, aquando a Greve dos Artistas no Brasil, Ruth Escobar, actriz e produtora cultural luso-brasileira defendeu que fechar os teatros não é solução, isso é o que eles (poder político) querem! Propôs então abrir os teatros, gratuitamente, para todos e em cada um ler um manifesto sobre a luta que estavam a travar. Num clima de suspeição e vigilância permanente, Ruth Escobar viu seu teatro ser destruído na véspera da estreia de uma peça de Chico Buarque e foi levada à prisão, ao lado da actriz Marília Pêra.

Em 2003, França: um grupo de Intermitentes em luta pelo direito ao subsídio de desemprego, interrompe a ópera La Traviata com buzinadelas de carros comandadas à distância; metade do público insultou os manifestantes, a outra metade insultou os primeiros por terem reagido.

Em 2019, o Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, o único teatro de ópera do país, é paralisado pela greve dos técnicos de teatro que reivindicam a aprovação do regulamento interno, uma sala de ensaios para a orquestra (pela qual esperam há 26 anos), o pagamento de horas extraordinárias em dívida, e a harmonização salarial do sector.

ARTE É PODER. PODER COM ARTE.

Desempenha a arte mera função instrumental (de propaganda ou valorização ideológica) conformada às estratégias de poder, ou tem o seu próprio e efectivo poder no mundo? São as práticas artísticas limitadas e até inúteis (por mais desafiadoras) para desencadear mudanças políticas ou nos jogos de poder, ou têm capacidade para se afirmarem independente e temerariamente como contrapoder? Fará sentido falar ainda (ou cada vez mais) das artes, face aos poderes instituídos, não como mercadoria, mas como força espiritual insubstituível?

Rogério Santos in Revista Comunicação e Cultura, número 15. Tema: Arte e Poder. Coordenação: Jorge Vaz de Carvalho, 2012

Convocatória

REUNIÃO DE PROTESTO

Convocamos todos os cidadãos da cidade de Lagos, Tavira, Algarve, Portugal e arredores, para se juntarem a nós – Artistas de Teatro, Música e Artes Visuais – num espectáculo vivo e animado sobre uma questão essencial à existência humana: a Arte.

Esta REUNIÃO DE PROTESTO, uma espécie de sessão artística e literária, terá lugar no LAC (antiga prisão de Lagos), nos dias 20, 21 e 22 de Junho, às 21H30 e a 28 e 29 de Junho no Clube de Tavira à mesma hora.

A reunião do colectivo terá a seguinte ordem de trabalhos:

1 – É PRECISO QUE SAIBAM A ENERGIA QUE POMOS NA NOSSA ARTE!
2 – É PRECISO PALAVRAS COM ARTE. É PRECISO ARTE COM ARTE.
3 – O AMOR À ARTE NÃO CHEGA PARA VIVERMOS ZANG-TUMB TOCTOCTOC TUUUMB
4 – ARTE É PODER. PODER COM ARTE
5 – PLANETA SEM ARTE NÃO TEM PASSAPORTE CROOOC-CRAAAC-CROOOC-CRAAC

A todos daremos uma espécie de “bem”.

REUNIÃO DE PROTESTO, com encenação de Neusa Dias e direcção musical de Vera Batista, é um espetáculo multidisciplinar com Teatro, Música , Vídeo, Design e Artes Plásticas, em que nos propomos reflectir sobre a importância capital e intrínseca da Cultura e das Artes na História do Homem.

Trata-se em boa medida de um manifesto artístico – um trabalho teatral em forma de debate e de exposição criativa tanto dos problemas vividos na Arte e pelos Artistas, bem como da disseminação de conhecimento sobre o lugar da Arte na existência individual e colectiva, em especial nos tempos que vivemos, buscando-se construir um “protesto” inovador, vívido, provocante, que comungue com o público, familiarizando-o com os processos, desafios e responsabilidades da criação artística.

Apoiado pela Direcção-Geral das Artes, Câmara Municipal de Lagos, Grupo Coral de Lagos, Conservatório de Música e Artes de Lagos e Antena 2, este espetáculo resulta de uma co-produção entre a Contemporaneus – Associação para a promoção da arte contemporânea (vocacionada para a criação e divulgação da música contemporânea,com sede em Estremoz), e a Rizoma Lab – Associação Cultural (vocacionada para a realização de projectos culturais e científicos numa perspectiva intercultural e transdisciplinar, com sede em Lagos), que operam em territórios com dificuldade em “colocar-se no mapa” da criação, produção e circulação artística contemporânea.

EQUIPA

Direcção Artística: Neusa Dias | Direcção Musical: Vera Batista | Texto e Encenação: Neusa Dias | Interpretação: Francisco Serôdio, Margarida Marreiros, Neusa Dias, Vera Batista | Espaço Cénico: ic!s & NoyzArt | Figurinos: Isa Novak | Vídeo: Tiago Inácio | Identidade Gráfica: ic!s | Fotografia: Pedro Noel da Luz | Registo e Edição Audiovisual: Francisco Pavão | Coordenação de Produção: Francisco Serôdio | Produção e Comunicação: Luísa Baptista | Atelier de Costura: Deolinda Marreiros | Webdesign: Daniel Bastos | Estagiários: Kenyel Bueno e Simão Rocha

Uma Co-Produção: Contemporaneus / Rizoma Lab - Associação Cultural

BILHETES

M/12 anos
Bilhetes: 6€ / À venda nos locais e dias do espectáculo a partir das 20h00
Reservas: geral@contemporaneus.pt

CONTACTOS

966 803 707 / 962 622 650
geral@contemporaneus.pt